Lótus

Entrei em um jardim. Pelo canto da noite, era lua cheia. Andei os montes próximos e suas árvores, a escuridão e o silêncio. E ali tudo se movia e grandes águas corriam sobre nós. "Minha nova casa", eu sentia, e o sentimento pulsava em mim e ecoava em mim. Há perguntas que quero e quis fazer, mas procurei a pergunta certa. "Qual é o meu nome nesta casa?". E fez-se o silêncio. Um sopro, uma brisa. Minha pergunta ressoou na Luz e as perguntas certas não têm resposta. Finalmente aqui, eu, feliz. Esta é a minha casa, este sou eu, este é o meu nome. Esta é a Senda da Misericórdia. E eu não estou sozinho. Sobre o chão e as pedras e a pedra, o Homem, eu sou. Sobre a copa das árvores, escuras, e as águas, sou. Perto da Lua, ser. Compartilho com eles. E sou apenas eu.
No alto de uma palma descansa uma flor púrpura. Eu a amo e ela espera-me. Há uma promessa. Ela é um beijo que me deram assim que eu cresci livre.
No centro do jardim há um rosto não visto. Para aquele que o vir não restará segredo inaudito.
Roteiro: Sidarta, Herman Hesse Trilha Sonora: New Age, Tori Amos
Escrito por Raoni às 14h39
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