Melodia

Que germina dos infra-sons, cotidiano, respiração-sinfonia-vácuo-tectonismo. Gênese subliminar, atento a cegos e surdos e humilhando-se diante deles. O dia. E depois um diálogo ininteligível mas audível, são, duas vozes graves. O que dizem é eternamente sagrado, eternamente hermético. Emaranhados à terra que murmura abaixo abaixo abaixo e o pós-pó-atmosférico em sincronia. Cordão de fertilidade. E então estalido é que se desvincula das vozes e desloca-se. Sobe parabolicamente através de céus e esferas, doura o pequeno campo à sua volta mas tudo além disso continua azul (equilíbrio policromático). Descida...segunda parte da parábola. Tudo agora é pequeno primeiro e gigantesco depois, balançando no paradoxo, cada vez mais rápido, cada vez mais dança. Como um grande sexo atravessando um bando de tarados, poder incontestável. Chegada imperceptível à superfície, a velocidade que anula a consciência. Momento de indecisão. Penetração na terra úmida, lenta, agora com meandros e não em linha reta. Absorção (sujeito indefinido.). Calor mais sonoro a cada metro, a Grande Mãe. Ultra-som dos infra-sons. Abaixo das placas, movimento difuso, fundido. Reunião dos elementos perdidos, sensação dos outros acima. Ali. O Núcleo. A Morte. A Reencarnação. O Ciclo.
Roteiro: Ulisses, James Joyce Trilha Sonora: Siren, Tori Amos (you know she breaks my siren)
Escrito por Raoni às 10h09
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